Caderno de Campo #1


ADPTN hoje, Porquê? Para quê?

Torres Novas assistiu, em 1980, à criação da Associação de Defesa e Valorização do Património Natural e Cultural da Região de Torres Novas (ADPTN). O seu contexto, à data, enquadrava-se numa consciência ambiental, patrimonial e urbanística por regulamentar em Portugal, e as associações de defesa do património proliferaram como espaço de debate, consciencialização e de ação coletiva em matérias variadas que passaram pela exigência de uma melhor qualidade ambiental, pela consciencialização da necessidade da conservação da natureza e pela luta pela salvaguarda e valorização do património arquitetónico e arqueológico. 
A ADPTN teve o mérito de conciliar a vontade dos cidadãos pela requalificação do rio Almonda e foi o elemento galvanizador na recolha de materiais etnográficos relevantes para a salvaguarda da memória coletiva torrejana. A ADPTN zelou sempre (mesmo em momentos em que parecia ser a única a fazê-lo) pela proteção dos testemunhos arqueológicos do concelho de Torres Novas, garantindo a sua conservação e segurança; promoveu discussões sobre urbanismo e ambiente, concretizando-se como espaço de excelência para o exercício da cidadania. 
Em 1985 foi publicada a Lei do Património Cultural Português, em 1987 a Lei de Bases do Ambiente, em 1998 a Lei de Bases da Política de Ordenamento do Território e Urbanismo. No final dos anos 90, do século XX, estavam assumidos no quadro normativo português todos os princípios ambientais, patrimoniais, urbanísticos e territoriais que temos hoje como granjeadores do desenvolvimento sustentado e integrado.
Sob a égide da administração pública, que cobre todos os setores da nossa existência individual e coletiva, bem como do nosso território nas suas mais variadas valências, o que resta então, hoje, em 2017, para acautelar por parte de uma associação de defesa do património?
Volvidos 37 anos de existência, a ADPTN encontra o rio Almonda agredido pela poluição e desqualificação das margens ribeirinhas; encontra, também, um quadro em que o património arqueológico ainda é ameaçado por falta de planeamento e devido intervenções urbanísticas danosas; a ADPTN depara-se, ainda, hoje, com ações desqualificadoras do solo rural.
Face à diminuição da capacidade individual de reagir às intervenções sobre o território e o património comum, mantém-se, afinal, a necessidade de um fórum sobre Torres Novas, onde todas as preocupações se encontrem numa premissa maior: a salvaguarda dos patrimónios torrejanos. 
É esta a missão de hoje da ADPTN. É esta a agenda, é esta a proposta.

Ana Sofia Ligeiro, presidente da direção da ADPTN


* O caderno de campo é a ferramenta usada pelos investigadores de diversas áreas do conhecimento (como a biologia, a geologia, a geografia, a sociologia, a literatura, a arquitetura, a antropologia, as belas artes e outras) para anotar as observações das saídas de campo ou reflexões avulsas.

ADPTN | Associação de defesa do património de Torres Novas

Publicado por:

ADPTN

Missão: salvaguarda dos patrimónios; resiliência territorial; produzir conhecimento; suscitar encontros e debates.

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